Só damos valor quando perdemos

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Moisés e nossa pequena Lolita em seu primeiro dia em casa.

O estúpido clichê de adolescentes se fez presente na minha vida ontem, depois de tanto tempo. Estávamos na faculdade, eu e William, quando senti um aperto no peito, e acreditem, quando aquele aperto se achega no meu coração é porque algo não está certo. Eu ouvia o professor falar dos protestos em São Paulo e no Brasil todo, mas não conseguia, de modo algum afastar o sentimento ruim. Num piscar de olhos, faltou luz! Não, não foi à luz que eu não dei valor… Liguei para casa, afim de conseguir alguém para nos buscar, então minha mãe me disse:

– Vou ver se o vô tira a camionete.
– Tá…

Desliguei o telefone e volta a luz no campus, entramos novamente na faculdade e num relance de alguns míseros minutos, o telefone toca, era minha mãe.

– Filha o não vai conseguir tirar a camionete, ele ta muito nervoso. 

– Tá, é que voltou a luz… – Falei sem entender.

– Aconteceu uma coisa – me interrompeu ela – O quê? – Respondi

– A Lolita morreu!

Naquele momento meu coração se despedaçou. No início do ano meu avô trouxe uma cachorrinha ainda bebê para fazer companhia para a minha Poodle Pynk, era uma Cofap, eu fiquei com ciúmes porque parecia que ele não dava mais atenção para a Pynk. A Lolita ou Pequena como eu chamava era marrom, ainda não era muito grande, mas em compensação era muito arteira. Brigávamos com ela porque ela fazia xixi dentro de casa, e ficava mordendo nossos pés na hora do almoço, ou do café. Ela era divertida. Eu só tinha ciúmes dela, mas no fundo gostava muito dela, tanto que não exitei em deixar minhas lágrimas caírem quando me foi noticiado o seu falecimento. Chorei, e ainda choro. Quando ela chegou, fez com que minha Pynk deixasse de implicar (um pouco) com meu sobrinho de 1 ano e meio, aliás, ele também chorou, e hoje quando chegou foi direto à cama dela, procurou em todos os lugares que ela ficava de costume, mas não achou. 
Ela e a Pynk se tornaram grandes amigas, brincavam e faziam muita zoeira na hora das refeições, ela fez com que a Pynk voltasse a brincar e trazia muita alegria, apesar de fazer barulho. 
Ontem quando sai na cozinha (lugar onde ela dormia) abri a porta esperando que ela viesse em meus pés, como sempre fazia, mas ela se foi, nunca mais vai voltar. No entanto, deixou para nossa família a maior herança que alguém pode deixar, a saudade, pois a saudade é a prova de que tudo valeu a pena; a saudade não é querer voltar no tempo, porque se existisse uma máquina do tempo, nós com certeza voltaríamos no tempo e não deixaríamos que ela morresse, mas seríamos iguais, quando a gente sente saudade a gente lembra de um momento mágico, como aquele quando ela mordia nossos pés ou deitava nele e queremos fazer com que ele volte, mesmo sabendo que ele só voltará a acontecer nos nossos pensamentos, na nossa memória, nas lembranças tão vivas que temos dela.
Saudade deveria ser o nome desse texto, mas não é, coloquei esse título porque muitas vezes eu não sorria para ela, muitas vezes eu dei boa noite só para a Pynk, porque afinal ela não era minha, a Pynk era minha, e no entanto ela foi e levou um pedaço do meu coração, e ainda me deixou uma lição: Não devemos deixar para conhecer quem amamos no momento que este já não se encontra mais presente, as menores coisas da vida são as que nos deixam mais felizes, e que em menos de um segundo perdemos a chance de reconhecer o quanto o outro é importante estando vivo, e que um cachorro pode fazer a bagunça que for, como rasgar minha meia calça, você vai xingá-lo, entretanto, diferente do homem, ele voltará a sorrir para você!

“Um cachorro não precisa de carrões, de casas grandes ou roupas de marca, um graveto está ótimo para ele. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, religião ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele e ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para  descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?”

http://www.youtube.com/watch?v=py3lHC3GJUw&NR=1&feature=endscreen

(Mensagem final de Marley e Eu)